Essas e
outras realizações da pesquisa científica permitiram aos agentes
da lei determinar a natureza da atividade criminosa, prever suas
futuras ocorrências e identificar os responsáveis – tudo de
forma precisa. No início do século XX, August Vollmer, chefe do
Departamento de Polícia de Berkeley, Califórnia, introduziu nos
Estados Unidos a técnica inglesa de classificação sistemática do
modus operandi (MO) de infratores conhecidos (Gottlieb,
1994).
Segundo
Dantas & Souza (2006) Vollmer desenvolveu técnicas para exame
dos registros das ocorrências policiais e atividades de ronda.
Ajudou promover o emprego de mapas “de localização” para
identificação visual das áreas em que crimes e chamadas estavam
concentradas.
Em seu
ensaio “The Police Beat” [A Ronda Policial], Vollmer fez a
seguinte afirmação com respeito ao uso da análise criminal para
apoiar operações policiais: “No pressuposto da regularidade do
crime e ocorrências similares, é possível tabular tais
ocorrências dentro de uma cidade e assim determinados pontos
que apresentam maior e menor perigo de ocorrência de tais
crimes”
Outro
pioneiro na análise criminal foi W. Wilson. que ampliou a
técnica de análise de ronda criada por Vollmer incluindo
fórmulas de risco e fatores de peso à várias categorias de
crimes e chamadas, a fim de fornecer uma abordagem científica
para a alocação de recursos de patrulhamento. Na segunda edição
de seu livro Police Administration, em 1963,
apareceu a primeira menção ao termo “análise criminal”
Wilson identificou a análise criminal como uma função
essencial da polícia, e recomendando a criação de divisões de
planejamento e pesquisa. A análise criminal era responsável pelo
exame sistemático de “relatórios diários sobre crimes graves a
fim de determinar local, horário, características especiais,
semelhanças com outros eventos criminosos e diversos fatos
importantes que podem ajudar a identificar um criminoso ou a
existência de um padrão de atividade criminosa” (Gottlieb,
1994).
Segundo
Gottlieb (1994), no final dos anos 60, as grandes organizações
policiais dos Estados Unidos haviam começado implantar unidades
de análise criminal responsáveis pela identificação do modus
operandi dos criminosos, seus padrões, áreas de atuação e
suas relações com outros delinqüentes e crimes. Foi introduzido
o Integrated Criminal Apprehension Program [Programa Integrado
de prisão de Criminosos] – ICAP que tinha como foco a abordagem
mais estruturada da administração, bem como a integração dos
seus serviços. Servia para aumentar a efetividade e a eficiência
da organização policial. Seu emprego refletiu-se em mais
prisões, maior número de casos elucidados e investigações
bem-sucedidas. Por meio do ICAP, as agências descobriram que era
possível dar mais atenção às atividades pró-ativas, tais como,
prevenção da criminalidade.
Ao mesmo
tempo, pesquisas indicavam que muitos problemas criminais podiam
ser atribuídos a indivíduos que são criminosos habituais (mais
tarde denominados “criminosos profissionais”) ou delinqüentes
contumazes.
Antigamente, a polícia podia receber descrições dos suspeitos,
mas, como estes não tinham nome, os policiais não tinham como
acessar os registros de seu departamento para possíveis
identificações. Era possível identificar padrões de MO
específicos, mas, sem o nome do suspeito, não era possível
vasculhar os arquivos à procura de pessoas anteriormente presas
que tivessem usado padrões similares (Gottlieb, 1994)..
A Evolução da Análise
Criminal
Presentemente,
podem registrar descrições físicas de suspeitos e ter seus nomes
identificados por computador. Da mesma forma, pode-se alimentar
o computador com padrões de MO e compará-los com aqueles
utilizados por suspeitos presos anteriormente utilizados. O ICAP
observou que os delinqüentes contumazes são freqüentemente
escravos do hábito. Muitas vezes cometem crimes à mesma hora, no
mesmo dia da semana ou utilizando o mesmo método. Assim, o ICAP
recomendava que as unidades de análise criminal monitorassem os
padrões criminais e relatassem seu aparecimento ou existência ao
pessoal de patrulha e investigação. Recomendava ainda que a
força de patrulha desenvolvesse planos dirigidos de ação tática
ou patrulhamento para enfrentar os problemas trazidos à sua
atenção pela unidade de análise criminal.
Por muitos anos se acreditou
que a presença visível de policiais era um importante fator de
inibição do crime, e que a melhor maneira de resolver os
problemas criminais era contratar mais policiais. Essa era uma
teoria cara de sustentar e, o que é mais importante, mostrou-se
falsa (Gottlieb, 1994)..
ICAP observou que os
delinqüentes contumazessão freqüentemente escravos do hábito.
Muitasvezes cometem crimes à mesma hora, no mesmodia da semana
ou utilizando o mesmo método. Essencialmente, o estudo de Kansas
City revelou que o importante não era o número de policiais de
um departamento, mas o que se fazia com esses policiais. Se um
departamento tinha todos os seus agentes trabalhando na zona
norte da cidade, enquanto os malfeitores estavam na zona sul,
pouco podia ser feito para redução da criminalidade. O estudo
indicava que, ao contrário da abordagem do patrulhamento
aleatório, o melhor emprego era obtido quando se alocavam
policiais nas áreas certas e horários certos. Patrulhamento
aleatório era igual a resultados aleatórios. A unidade de
análise criminal serviu de inestimável ajuda para supervisores
de patrulhamento atingirem seus objetivos.
Os patrulheiros eram
encorajados a participar plenamente das investigações iniciais
obtendo a máxima quantidade possível de informações durante seus
contatos com as vítimas e / ou testemunhas (Gottlieb, 1994).
Por fim, o ICAP recomendava
que a unidade de análise criminal fornecesse aos investigadores
orientações sobre suspeitos, análises de padrão de MO e outros
mecanismos para ajudar a agência a identificar delinqüentes e
possíveis locais de futuras atividades criminosas. A experiência
indica que unidades de análise criminal não devem ser
alocadas em divisões de planejamento, pesquisa ou
administrativo. É recomendável que sejam alocadas em divisões de
patrulhamento ou investigação para fornecer apoio à ações
táticas e estratégicas, em oposição ao apoio administrativo.
O trabalho pericial, em
criminalística, inicia com o levantamento do local crime onde
estão presentes os vestígios materiais do fato. Quando estes
vestígios, extrínsecos à pessoa física, tiverem uma relação
direta ou indireta com o fato, forem de interesses para o
esclarecimento, à prova de infrações penais e para a
identificação dos seus autores, passarão à categoria de indícios
(Gottlieb, 1994).
O
Trabalho Pericial