Softwares
específicos para tratamento de dados criminais geo referenciados ( GIS -
Geographic Information System) exibem visualmente variações de densidade
verificadas nos fenômenos geo-temporais. Os aplicativos GIS processam
tarefas de captação e distribuição dos dados em camadas de mapeamento e
representam automaticamente as informações tratadas em imagens e
relatórios, constituindo-se em ferramentas poderosas para construção do
conhecimento e orientações de ações táticas / operacionais de segurança
pública, particularmente em áreas afetadas por grande incidência de
crimes (Magalhães, 2007),.
4 - Cluster
A partir dos sistemas georeferenciados,
ainda é possível monitorar a distribuição espacial (clusters) de
incidências, conciliando a ocorrência temporal com a quantificação e
propagação das ocorrências. É possível observar na figura 5 o
aparecimento de agrupamentos de incidências, onde as concentrações
tornam-se visíveis.(Cavicchioli et al, 2007). Segundo Martins (2009), os
subgrupos ou clusters são identificados por padrões ou representação de
configurações onde cada elemento do subgrupo apresenta maior
similaridade de certa característica ou propriedade com os demais
elementos do mesmo agrupamento do que com outros elementos de outros
subgrupos. Os subgrupos são geralmente comandados por líderes de
quadrilhas especializadas e agrupamentos clandestinos denominados de
facções criminais. Os subgrupos desempenham atividades caracterizadas
pela tipificação criminal, como seqüestros, roubo de carga, narcotráfico
e outros, e distinguem-se pela estrutura organizacional e forma, segundo
a qual comunicam-se os seus participantes.
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Figura 5 - Concentração de incidências em espaços segmentados da
região analisada (Clusters criminais) |
5 - Conceito de Rede
Em Geoprocessamento, o conceito de rede
denota as informações associadas a serviços de utilidade pública, como
água, luz e telefone; redes relativas a bacias hidrográficas; e
rodovias. As informações espaciais são usualmente armazenadas em forma
de grafo que armazena informações sobre recursos que fiuem entre
localizações geográficas distintas. Os grafos usam topologia arco-nó,
onde os arcos têm um sentido de fiuxo e os nós podem ser fontes ou
sorvedouros.
Uma rede é um sistema de endereçamento
1-D embutido no espaço 2-D. Para citar um exemplo, tome-se uma rede
elétrica, que tem, entre outros, os componentes: postes,
transformadores, sub-estações, linhas de transmissão e chaves. As linhas
de transmissão serão representadas topologicamente como os arcos de um
grafo orientado, estando as demais informações concentradas em seus nós.
Operações típicas sobre rede são cálculo
de caminho ótimo e crítico. Vários algoritmos de cálculo de propriedades
da rede podem ser resolvidos apenas considerando a topologia da rede e
de seus atributos (Câmara, 1995).
Segundo Martins (2009), a dinâmica
extraída de uma ocorrência policial pode revelar, através de
procedimentos e estilo de trabalho adotados, a origem e autoria do
crime. A dinâmica criminal representa importante fonte para análise de
similaridades e co-relações entre delitos cometidos em diferentes
momentos. Através de comportamentos sistemáticos é possível estabelecer
vínculos entre quadrilhas ou padrões de reincidência característicos de
eventos criminais associados. Procedimentos e estilos de execução de
delitos são conhecidos como dinâmica do crime, estando
presentes em vestígios extraídos de documentos e boletins de ocorrências
policiais (Xu & Chen, 2004), onde circunstâncias fundamentais da
ocorrência são analisadas.
As organizações criminais relacionam-se
através de linhas de procedimentos comuns, estabelecendo vínculos entre
tipificações criminais aparentemente desvinculadas e recompensas finais
de diferentes naturezas. Crimes de maior clamor público, como roubo e
furto de veículos, chacinas ou roubo de carga freqüentemente encontram a
mesma origem nos relacionamentos e associações criminais: o tráfico de
entorpecentes.
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Figura-6 - Redes Criminais processadas a partir de delitos geo
processados em uma região específica |
A figura-6 apresenta um exemplo de
delitos georeferenciados, sobre os quais foi processada uma pesquisa de
possíveis redes existentes vinculando pontos geo referenciados no mapa.
Para esta aplicação, os delitos foram representados como os nós do grafo
(rede) e os padrões similares foram conectados representando os seus.
arcos.
6 - Aplicação na Área de Saúde
O sistema aqui apresentado por Cavicchioli
et al (2007) incorpora recursos da tecnologia GIS para promover a
integração da base de dados dos usuários de um arquivo municipal de
saúde com a base cartográfica. O sistema trabalha com mapas digitais de
Riberão Preto, cobrindo 100% da área urbana da cidade em uma escala de
aproximadamente 1:2000. Como princípio básico, o sistema tem como ponto
de partida a divisão da base cartográfica municipal, selecionando algum
critério de interesse (por setor censitário ou por cobertura das
Unidades de Saúde, por exemplo), aplicando-se recursos capazes de
identificar distribuições espaço-temporais no mapa do município para
posterior analise e produção de relatórios estatísticos e gráficos.
As coordenadas referenciadas nesta
aplicação constituem a chave para o geo referenciamento de cada
ocorrência de doenças, ou para a análise estatística de distribuições
sócio-econômicas da população. Nos sistemas de saúde, o endereço de
correspondência é a forma de referência espacial mais encontrada,
constituindo-se na forma de localização espacial mais utilizada pela
população. Desta forma, o endereço representa a chave de acesso mais
adequado para armazenar e recuperar informações espaciais em um Sistema
de Informações Geográficas urbano.
No exemplo apresentado na figura 5, foi
utilizado o EpiCASim-GIS, em sua versão demo, desenvolvido para
monitoramento de epidemias em uma região selecionada, servindo como um
sistema de vigilância epidemiológica. O exemplo apresentado na figura-4
fornece um mapa digital dinâmico para atualização visual e análise
dos dados existentes na distribuição georeferenciada de pacientes
por endereço e sua evolução temporal (com data dos primeiros sintomas)
dos casos de dengue nos últimos anos (de 1998 a 2003) na cidade de
Ribeirão Preto (Cavicchioli et al, 2007).
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Figura 7 --
Evolução da Dengue em dois momentos de desenvolvimento da
epidemia. |
7 - Um Exemplo de um Banco de Dados Geográfico -
SPRING
Banco de dados geográfico de 2º geração,
para ambientes UNIX e Windows. Os sistemas desta geração são concebidos
para uso em conjunto com ambientes cliente-servidor, geralmente
acoplados a gerenciadores de bancos de dados relacionais, operando como
um banco de dados geográfico. Provê um ambiente de trabalho
amigável e poderoso, através da combinação de menus e janelas com uma
linguagem espacial facilmente programável pelo usuário (LEGAL -
Linguagem Espaço-Geográfica baseada em Álgebra), fornecendo ao usuário
um ambiente interativo para visualizar, manipular e editar imagens e
dados geográficos. Contém algoritmos inovadores, como os utilizados para
indexação espacial, segmentação de imagens, classificação por regiões e
geração de grades triangulares com restrições, garantem o desempenho
adequado para as mais variadas aplicações, complementando os métodos
tradicionais de processamento de imagens e análise geográfica (Moreira,
2010).
8 - Rasteamento de Cargas por Satélite
Os sistemas de rastreamento por satélite
destinam-se ao controle de veículos ou frota de veículos, informando a
sua localização na superfície terrestre através do sistema de
coordenadas. Através deste sistema é possível também através detse
sistema de rastreamento saber a velocidade do veículo (avião, trem,
automóvel, embarcação) , complementada por dados importantes de
segurança , como temperatura do compartimento de carga e condição das
portas do veículo.
O rastreamento é executado através do
sistema de posicionamento Global (GPS) que coletas as coordenadas
transmitidas para um satélite de comunicação, posteriormente
transferidas para uma estação em terra
A integração do Sistema de Informações
Geográficas, GIS, com atuais recursos de sistemas de telecomunicações,
combinados com Sistema Global de Posicionamento por Satélite, GPS
provocou a ampliação das fronteiras dos sistemas de logística,
fornecendo novos instrumentos para os sistemas de rastreamento de cargas
e gestão das frotas transportadoras.
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Figura 8 - Sistema de rastreamento de veículos - adaptado de
Anefalos (1999) |
O sistema GIS
baseia-se nos fundamentos da Cartografia que, segundo Zimback (2003), é
definida como estudos e operações científicas, artísticas e técnicas com
objetivo de elaborar e preparar cartas, mapas, planos e outras formas de
expressão destinadas à representação de fatos e fenômenos observados na
superfície da terra, através de simbologia própria.
Segundo
Davis (1997), O GIS situa-se na fronteira de diversas áreas do
conhecimento, cada uma privilegiando um aspecto da tecnologia, cuja
definição é percebida de forma diferente pelos especialistas de cada
área. Davis (1997), cita o conceito de GIS como um sistema automatizado
usado para armazenar, analisar e manipular dados geográficos
representativos de objetos e fenômenos em que a localização geográfica é
uma característica inerente à informação (Martins, 2007).
9 - Centros de Monitoramento e Redução do Risco de Roubo de Carga
Representam
centros técnicos privados de empresas transportadoras ou de prestadores
de serviços destinados ao acompanhamento, via rede de telecomunicações,
da frota nas estradas, rodovias ou malha urbana. Através de rotas e
planos de deslocamento previamente estabelecidos é possível executar o
acompanhamento do veículo, monitorando não apenas o seu deslocamento,
mas também todo conjunto de ações e comportamento geral do motorista e
veículo, durante o percurso previsto, da origem ao destino final.
Além das
funções de administração da frota e do conteúdo embarcado, as centrais
prestam-se a suporte às funções de segurança à tripulação do veículo e
funções de apoio à repressão de ações criminais. Sistemas como cerca e
escolta eletrônica, comunicação e escuta de voz, alarmes ativados por
divergências relevantes contra o planejamento prévio de deslocamento,
atitudes anormais do veículo ou motorista fazem parte do elenco de
funções básicas de uma central de monitoramento.
A Globaltrac
(2004) apresenta um sistema de acompanhamento de frotas marítimas e
terrestres através de um sistema Central de Monitoramento que, dentre
outras funções de apoio, oferece:
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Diferentes arquiteturas
móveis (Satélite, GSM/CDMA/TDMA);
·
Aplicações SMS;
·
Acesso via Internet/WAP;
·
Distância entre cidades com
visualização de nomes;
·
Mapas Geo Referenciados;
·
Armazenamento das 100
últimas posições do veículo.
Gennari &
Peartree (2004) afirmam que a análise de risco em conjunto com
procedimentos de monitoramento proporcionam queda na taxa de risco do
transporte de carga. Para Clemente (2003),
a avaliação dos riscos considera todos os itens capazes de influir na
viagem, entre histórico de sinistros, produtos, rotas, transportadores,
perfil do pessoal envolvido com a operação
dentre fatores de
maior influência nos custos finais da taxas do seguro aplicado.
Recursos como programação de rotas, cerca eletrônica, bloqueadores,
botões de emergência, sensores remotos e outros procedimentos
preventivos permitem uma reação imediata da central de monitoramento no
caso do curso de alguma ocorrência. O acionamento imediato de escoltas,
Polícia Rodoviária, aviões de patrulhamento, Polícia Civil ou Polícia
Militar podem ajudar a minimizar as ações do crime organizado no caso de
roubos de cargas nas estradas ou em áreas urbanas. Diversas empresas de
grande porte, terceirizadas ou não, alvo freqüente dos marginais, deixam
de rastrear suas cargas por razões baseadas apenas nos custos de
equipamento e monitoramento, o que vem a facilitar as ações criminosas
diárias contra estas empresas, contribuindo para o aumento crescente das
estatísticas de roubo e furto da carga e de veículos transportando
cargas
Bibliografia