Um banco de dados compreende uma coleção
de informações de mesma natureza que pode ser representado por um
conjunto simples de dados textuais ou por um conjunto complexo de
textos, imagens ou objetos relacionados através der chaves, algoritmos e
outras ferramentas sistêmicas.
Como exemplo, vamos imaginar um conjunto
de informações referentes a indivíduos entrevistados, residentes em
determinado bairro de uma cidade brasileira. Desejamos relacionar os
seus nomes, idade e sexo. Teríamos uma hipotética organização descrita,
segundo a seguinte lista abaixo:
Número de Ordem, Nome, data nascimento,
sexo
1, Napoleão Bonaparte,
1947, masc
2, Willian Constance, 1939, masc
3, Vivian Gretchen, 1976, fem
4, Sam Elias Silva, 1955, masc
5, Johnn Wayne Souza, 1984, masc
6, Ruela Saporo, 1998, fem
7, Luana Moreira, 1980, fem
No exemplo acima, a informação completa
do cadastro de indivíduos deverá conter os itens relacionados (número de
ordem, nome, idade, sexo).. Os itens encontram-se separado por uma
vírgula, funcionando como um delimitador de campo. Um campo pode ser
entendido como uma unidade de informação que integra um registro (itens
que compõem um indivíduo). Um registro é integrado pelo conjunto
completo de campos que integram a informação indivíduo.
Exemplo de indivíduo: 5, Johnn Wayne
Souza, 1984, masc
Exemplo de Item de cadastro: 1984 (data nascimento)
Poderíamos usar também sinais, caracteres
especiais ou símbolos (ponto e vírgula, asterisco, espaço etc) como
delimitadores ou separadores dos itens que integram cada informação.
A partir do banco de dados fornecido,
poderíamos conhecer, quais são os indivíduos do sexo masculino moradores
no bairro analisado, ou quantos seriam os indivíduos em idade escolar de
ambos os sexos.
Existem diversas formas de representação
das informações de um banco de dados. Um formato bem comum, é
representado por uma tabela de dados, onde cada linha corresponde a uma
informação completa.e cada item do cadastro estará contido em uma célula
da tabela.
O modelo abaixo ilustra o mesmo exemplo
de um banco de dados, onde a célula contém um item do cadastro, e cada
linha representa um indivíduo
|
Número de Ordem |
Nome |
data nascimento |
sexo |
|
1 |
Napoleão Bonaparte |
1947 |
masc |
|
2 |
Willian Constance |
1939 |
masc |
|
3 |
Vivian Gretchen |
1976 |
fem |
|
4 |
Sam Elias Silva |
1955 |
masc |
|
5 |
Johnn Wayne Souza |
1984 |
masc |
|
6 |
Ruela Saporo |
1998 |
fem |
|
7 |
Luana Moreira |
1980 |
fem |
Programas de tratamento de planilhas
eletrônicas oferecem também facilidades para organização e modelagem de
bancos de dados, como Excel, Lotus etc.
Introduzimos aqui o conceito de atributo, definido pelo
valor encontrado na interseção entre uma linha e uma coluna. Por
exemplo, o nome do indivíduo de número de ordem 3 no banco de dados é
Vivian Gretchen
|
Número de Ordem |
Nome |
|
1 |
- |
|
2 |
- |
3
|
Vivian
Gretchen
|
Esta organização apresenta inúmeras
vantagens, tais como estruturação dos dados, organizados em campos
naturalmente delimitados, acesso a indivíduo através do conjunto de
dados contido em uma linha da tabela, pesquisa de nomes, distribuição
por faixa etária, distribuição por sexo, acesso a indivíduos através de
chaves ou atributos (por exemplo, número de ordem do indivíduo no
cadastro).
Segundo Willian [1], um Banco de dados é
um conjunto de dados com um significado implícito dotado das
características seguintes:
·
Um banco de dados
representa uma porção do mundo real denominado Universo de Discurso.
Qualquer alteração neste universo deverá ser refletida necessariamente
no banco de Dados.
·
Um banco de dados é um
conjunto lógico e ordenado de dados que apresentam um significado
específico.
·
Um banco de dados é
construído e povoado com dados que tem determinado objetivo, contendo
ainda usuários e aplicações desenvolvidas para manipulá-los.
Abordagem Histórica dos
Bancos Dados
Alguns
dos primeiros bancos de dados no passado utilizavam fita de papel
perfurado e cartão perfurado.
Estes dois sistemas foram idealizados por Hermam Hollerith, fundador da
empresa IBM em 1924 [1].
Os programas de bancos de dados talvez
sejam os mais antigos já desenvolvidos para computadores. Anteriormente
ao desenvolvimento de bancos de dados os programas trabalhavam com
arquivos seqüenciais. A Fita Magnética era uma perfeita mídia para este
tipo de tratamento seqüencial, pois os dados estão naturalmente
armazenados em forma seqüência, segundo uma específica chave de
classificação. Por exemplo em um antigo sistema bancário, os clientes
eram armazenados em fita magnética (Figura 1), organizados em ordem
crescente por agência e número da conta corrente dentro da agência a que
estava cadastrado. Para atualização desta base de informações bancárias
era necessário classificar os dados de entrada (lançamentos de débito e
crédito), igualmente na mesma ordem em que estavam organizadas as
contas-correntes nas agências. Esta era uma tarefa complexa que
demandava muito tempo do processamento, geralmente executado na mesma
noite referente à data em que ocorreu o movimento financeiro.
Organização Simplificada
Agora vamos supor a organização um
cadastro de alunos de uma escola superior [3]. Precisamos de informações
pessoais e informações do histórico acadêmico de cada aluno. Em um
sistema totalmente manual, teremos um arquivo físico contendo gavetas.
Em cada gaveta, por hipótese, estão depositados todos os dados de
referência pessoal e histórico escolar de cada aluno. Cada gaveta contém
uma etiqueta externa representando a matrícula do aluno. Para
simplificar a organização e acesso ao cadastro dos alunos, as gavetas
foram divididas em pequenos compartimentos onde encontram-se depositadas
pastas coloridas contendo os dados individuais de cada aluno. As cores
das pastas representam referências ao tipo do conteúdo armazenado, por
exemplo, a pasta branca contém o cadastro, a pasta azul contém os dados
de atividades extra-escolares, e por último, a evolução dos dados
acadêmicos estão armazenados na pasta amarela. Poderíamos ainda
segmentar a os dados acadêmicos em pastas de cores distintas, por
exemplo a cor verde representando o primeiro período cursado, a cor
cinza o segundo período cursado etc. De acordo com esta organização,
cada gaveta armazena os dados globais de cada aluno, cujo conjunto
simboliza os “registros” do cadastro. As pastas representam os “campos”
de cada registro (segmentação de informações do cadastro com
significados específicos). As cores representam “chaves” de acesso para
um tipo específico de informação. As chaves de acesso permitem que
tenhamos um rápido acesso á informação, através de um código ou uma
seqüência de operações numéricas ou alfabéticas (algoritmos). Desta
forma, teremos a seguinte organização física para o nosso cadastro de
alunos[3]:
|
Cadastro |
Aluno |
Dados do aluno |
Conteúdo
específico do aluno |
|
 |
 |
 |
 |
|
O arquivo contém
os dados do cadastro de alunos |
Cada gaveta
contém os dados respectivos de um aluno |
As pastas em cada
gaveta contém os dados segmentados de um aluno |
Cada pasta contém
detalhes de cada tipo de informação do cadastro de um aluno |
Neste exemplo
hipotético de organização de dados, poderemos realizar algumas operações
de acessos às informações do cadastro de alunos em nosso“arquivo”.
- Se
desejamos acessar os dados de um aluno específico através da sua
matrícula usada como referência procuramos a etiqueta correspondente
na gaveta respectiva, organizada em ordem numérica crescente, segundo
as matrículas dos alunos. A gaveta que apresenta identidade com a
“chave” numérica desejada é aquela que desenvolvemos a nossa busca.
-
Desta vez, queremos acessar o endereço de um aluno específico.
Procedemos a etapa 1 acima como operação preliminar para acesso ao
“registro” do aluno. Após localizada a gaveta respectiva, selecionamos
em seu interior a pasta que apresenta a etiqueta branca, contendo os
dados cadastrais e conseqüentemente o endereço procurado.
-
Desejamos acessar todos os alunos que estão matriculados no segundo
período. Podemos selecionar todos os conteúdos das pastas cinzas, de
todas as gavetas e selecionarmos as suas respectivas matrículas
(etiqueta das gavetas).
A maioria das informações no passado
encontravam-se armazenadas em fichas de papel ou em suporte semelhante,
como cartões manuscritos, cartolina ou pequenas fichas plásticas. Estes
suportes ofereciam tratamento ineficiente em termos de manutenção,
armazenamento de dados e acesso às informações selecionadas. Se o tipo
de processamento exigia constante manutenção, como na atualização de
saldos bancários ou atualizações criminais, a carga para tratamento dos
dados através de rotinas manuais tornava-se um constante ciclo de
ineficiência operacional [3].
Os bancos de dados armazenados em mídias
eletrônicas permitem a simplificação de tais operações, através de
ferramentas para acesso aos dados e facilidades para manutenção das
informações residentes.
Para efeitos didáticos, utilizaremos a
organização apresentada no exemplo anterior, representando de um banco
de dados armazenado em meio magnético.
Supomos o conteúdo do cadastro modelo
armazenado continuamente em meio magnético. Os registros referentes aos
alunos encontram-se separados logicamente no meio magnético por
limitadores lógicos (elementos de controle indicando o final de cada
informação), invisíveis para o usuário, mas reconhecíveis pelo sistema.
Teremos cada registro do cadastro
segmentado em unidades de informações denominadas campos do registro
(recordar as gavetas no exemplo representando os registros do cadastro e
as pastas representando os campos ou unidades de informação de cada
aluno).
Os campos de um registro representam as
unidades lógicas de dados que qualificam um aluno, tais como nome,
endereço, esportes praticados , disciplinas cursadas etc.
Extraindo os dados armazenados na
estrutura do banco de dados modelo, teremos o seguinte conteúdo na
estrutura de nosso banco de dados:
|
Matricula
Aluno 1 |
Nome 1 |
Endereço 1 |
Sexo 1 |
Esportes
Praticados 1 |
Disciplinas 1º
ano |
Disciplinas 2º
ano |
Disciplinas 3 ano |
|
Matricula
Aluno 2 |
Nome 2 |
Endereço 2 |
Sexo 2 |
Esportes
Praticados 2 |
Disciplinas 1º
ano |
Disciplinas 2º
ano |
Disciplinas 3 ano |
|
Matricula
Aluno n |
Nome n |
Endereço n |
Sexo n |
Esportes
Praticados n |
Disciplinas 1º
ano |
Disciplinas 2º
ano |
Disciplinas 3 ano |
Esta estrutura lógica representa uma
organização dos dados armazenados em meio magnético. Esta representação
destina-se à compreensão da sua estrutura organizacional, apresentando
visões do planejamento das informações armazenadas para futuros acessos
ao banco de dados por seus potenciais usuários.
Em termos técnicos, o processo de
armazenamento físico dos dados é considerado um problema de alta
complexidade [3]. A boa notícia reside no fato que a maior parte das
complexas operações referentes ao tratamento dos dados no meio físico
magnético (exceto dimensionamento dos dados armazenados, cuja
responsabilidade será sempre do usuário) é realizado pelo computador,
contemplando operações importantes como gravação e leitura dos dados na
mídia magnética, organização física do armazenamento etc, através de
poderosos comandos disponíveis para manipulação do banco de dados pelos
usuários.
Vamos aprender nas aulas seguintes que existem diversas
formas de organizarmos as nossas estruturas de dados, possibilitando
alternativas variadas para desenvolvimento e alternativas para
construção do relacionamentos entre informações residentes em um banco
de dados.
Em estruturas complexas de informações
relacionadas, como aquelas apresentadas em um banco de dados bancário ou
em bases de dados criminais, são exigidas técnicas apuradas para
modelagem dos dados, devido ao grande volume de informações e
relacionamentos envolvidos, como também, por conseqüência de seus
múltiplos tratamentos voltados para freqüentes pesquisas e atualizações
impostas às estruturas armazenadas [3].
Bibliografia
[1]
Willian P.A. Banco de dados Teoria e DesenvolvimentoEditora Érica.
S.Paulo,
2009.
[2] E.F. Cood. The
RELATIONAL MODEL for DATABASE MANAGEMENT. ACM Classic Books Series
, Addison-Wesley Publishing Company, Inc. EEUU
1999
[3]
MARTINS Isnard. Pesquisas em Estrutura de Dados (1) . Notas Técnicas PUC
Rio. Rio de Janeiro DEI 2006