Isnard
Martins - Prof Dr Engenharia Industrial - 2008
Os históricos
policiais representam a semente da análise criminal - fornecem subsídios
para elucidação de delitos e orientam a gestão e planejamento do
policiamento
A Importância da
coleta de dados
A produção de registros de ocorrências
criminais tem grande relevância nas atividades de investigação, análise
e planejamento do policiamento urbano. Para formação das bases de
ocorrências é necessário organizar uma eficiente coleta de informações
que contribuam na construção do conhecimento aplicado nas investigações
e forneçam embasamento para o planejamento das atividades preventivas e
repressivas de combate ao crime organizado.
Diversos meios são utilizados para
registro de ocorrências policiais. Ferramentas avançadas são utilizadas
como instrumentos para elaboração automatizada do documento, através de
terminais portáteis ou microcomputadores remotos operando como suporte
para transcrição dos relatos. As informações são coletadas através de
campos exibidos na tela do terminal, orientando o fluxo de preenchimento
da ocorrência, evolução distanciada das antigas máquinas de escrever que
produziam um documento datilografado ou gerados por processos
inteiramente manuais nas delegacias policiais (Martins, 2007).
Um cenário difícil de acreditar

O
Computerworld noticiou que o Departamento de Polícia de Nova Iorque (a
famosa sigla NYPD) firmou no mês passado um contrato de 1 milhão de
dólares para comprar máquinas de escrever mecânicas e elétricas.
O site do jornal New
York Post registrou o fato. Segundo a matéria, apesar dos
esforços em informatizar todas as Delegacias, muitos policiais ainda
preenchem formulários com máquinas de escrever, utilizando papel e
carbono
(http://rapidoerasteiro.wordpress.com/2009/08/14)
Em
Janeiro de 2009, no Rio de Janeiro, existiam 51 delegacias no tempo da
máquina de escrever. Na 75ª dp de Rio dOuro ( São Gonçalo ), um dos
quatro computadores pertencia ao próprio inspetor. A Internet, ainda era
discada.
Os
policiais contam que, quando a equipe do delegado Milton Olivier chegou,
em março, a impressão era de que a entrada da unidade daria no cemitério
(que fica ao lado). Além da doação de computadores e ar condicionado,
por exemplo, os policiais chegaram a digitalizar o Registro de
Ocorrência para, enfim, aposentar a máquina de escrever.
(
http://coturnocarioca.blogspot.com/2009/01/
programa-delegacia-legal-completa-10.html) consulta em outubro de 2009
Tendências
A tendência presente é a adoção de
soluções automatizadas, evitando o mínimo de re-transcrição da
informação, fazendo do registro da ocorrência suporte para todas as
etapas e acompanhamento da ocorrência pelos Departamentos policiais e
Judiciário. Projetos avançados, como implantado em Quebec, Canadá,
permite que o registro com origem na central de Comando e Controle (190)
desenvolva um documento único, dinâmico, que será utilizado em todas as
fases do processo, até a sua fase final no sistema de Justiça (Martins,
2007).
“Discar
190 e ouvir o sinal de ocupado poderá ser um pesadelo do passado para os
cidadãos do estado do Rio de Janeiro. Até o final do ano, um novo
sistema informatizado, em fase de implantação pela Secretaria de
Segurança Pública (SSP) (foto), deverá mais que dobrar a capacidade de
recebimento de chamadas da central de emergência da Polícia Militar.
Além de aumentar a capacidade de atendimento de solicitações, o sistema
deverá reduzir significativamente o tempo de chegada de viaturas aos
locais das ocorrências”
(
http://www.comunidadesegura.org/pt-br/node/31076 )
Problemas Apresentados
Apresentando o país uma geografia continental, diversas iniciativas
tecnologicamente avançadas tem sido desenvolvidas por polícias
brasileiras para implantação de sistemas automatizados para coleta de
históricos policiais. Os novos sistemas sofrem o convívio paralelo, por
longo tempo, com sistemas antigos e modelos sistêmicos ultrapassados,
cuja integração (substituição do antigo) pode consumir muitos meses ou
mesmo anos. Dentre os problemas mais freqüentes relativos à coleta dos
históricos, destacamos os seguintes (Martins, 2007):
·
a - Distribuição Geográfica
Os Departamentos policiais, pontos de coleta dos
Boletins de Ocorrências, geralmente encontram-se intensamente
descentralizados. A complexa distribuição geográfica dos departamentos
policiais, envolvendo bairros, municípios e cidades, dificulta a
consolidação e integração periódica dos históricos gerados nos pontos
de coleta por meios manuais.
·
b = Ausência
de padronização no suporte do registro (documentação e formatos)
Diferenças existentes nos métodos e padrões
utilizados para coleta das informações criminais nas delegacias não
são raros. Freqüentemente, tais diferenças são geradas pela
assincronia sistêmica e defasagens, que são próprias da implantação de
um novo projeto, e que inserem heterogeneidade nos dados usados para
tratamentos estatístico e análise das consolidações. Sistemas
paralelos de processamento e conversores de códigos e formatos
minimizam os obstáculos processuais causados pela dualidade de
informações. Geralmente para redução dos impactos causados pela
implantação de um novo projeto de sistemas, gestores procuram
priorizar a implantação selecionando regiões específicas para o
cronograma dos novos benefícios. Com certa freqüência o cronograma
original sofre eventuais alterações em seu escopo causado por
alterações que objetivam privilegiar departamentos com maior
visibilidade pública, alterando assim as estratégias originais do
projeto (Martins, 2009).
c - A padronização de terminologia
visa promover o uso da informação em diversas situações. O Poder
Judiciário instituiu tabelas de assuntos processuais, cujos objetivos
fundamentais são, neste caso, aplicáveis. Seus principais objetivos:
-
·Atingir maior uniformidade no
tratamento da informação, visando à geração de análises estatísticas
mais precisas e detalhadas, essenciais ao planejamento estratégico;
-
·Facilitar a recuperação de
informações pelos órgãos supervisores;
-
·Possibilitar o aproveitamento,
nas instâncias superiores, das informações;
-
·Facilitar o intercâmbio da
informação entre sistemas e bases de dados, possibilitando uma
integração mais abrangente para a implantação de sistemas de âmbito
nacional,
-
·Racionalizar o fluxo do processo
e facilitar o encadeamento lógico do tratamento processuais;
-
·Padronizar a descrição dos
diversos movimentos para facilitar a recuperação e maximizar o uso da
informação processual, atingindo níveis crescentes de acessibilidade
para usuários internos e externos;
-
·Contabilizar as ocorrências,
identificando as mais freqüentes
-
·Assegurar, juntamente com outros
instrumentos, a padronização de rotinas e método
d - Usuários não qualificados
para operação do novo sistema.
Problema muito comum observado em
delegacias policiais.
Dentre as suas causas mais usuais,
destacamos:
o
transferência de pessoal,
o
férias
o
folgas-rodízio.
o
ausências por motivo de enfermidade,
missões externas e outros
e- Códigos inadequados / não padronizados
Códigos de delitos inadequados representam dificuldades que se
refletem no preenchimento da ocorrências. A evolução do sistema de
códigos em sofrido constantes alterações devido a evolução para
novos sistemas de classificação.
f -Diferenças e
Particularidades de Linguagem
Segundo Andrigueto (2006) a terminologia utilizada nos
departamentos policiais decorre da necessidade do entendimento dos
depoimentos prestados pelos criminosos e entendimento pela população
local. Trata-se, portanto, de um conjunto compartilhado de vocábulos
utilizados, que gera um entendimento fácil e rápido, reconhecido,
mas nem sempre compreendido por outros indivíduos da sociedade,
caracterizando um grupo específico, em uma comunidade específica.
·
g- Linguagem
inadequada no registros da ocorrência
Este problema encontra-se intimamente conectado
às diferenças e particularidades da linguagem e regionalismos. Quando
utilizadas para preenchimento de um boletim de ocorrência, as gírias,
neologismos e palavras inadequadas são constantemente aplicadas como
recursos da linguagem policial, cujas gírias e jargões denotam um
inadequado processo de criação metafórica . Um exemplo abaixo de
gírias encontradas em cadeias policiais (Andrigueto, 2006)
o
Areia – açúcar ou mentira
o
Apavorar – ir ao banheiro da cadeia
o
Aviãozinho – aquele que vende pequena
quantidade de droga
o
Bala ou comprimido – ecstasy
o
Baseado – maconha ou cigarro de maconha
o
Berma – bermuda
o
Binga – isqueiro
o
Blindada – marmita de papel alumínio,
“marmitex”
o
BO – bronca, boletim de ocorrência
o
Bôbo – relógio ou coração
o
Boca-suja – cinzeiro
o
Bocuda – janela ou porta da cadeia
h- Erros de
transcrição (abreviaturas, ortografia etc)
Devido à simplificação, necessidade de redução
de tempo ou até ausência de cautela, os boletins de ocorrência são
freqüentemente preenchido aplicando-se incompreensíveis abreviaturas
de endereços, apelidos, cidades e departamentos públicos, o que
provoca uma variada gama de problemas para análise e tratamento
estatístico, particularmente para os sistema geo-referenciados.
·
i - Assincronia
nos prazos para consolidação dos registros
Resumo
Segundo Gottlieb (1998) e Martins
(2009), a coleta de dados pode ser definida como a consolidação de dados
“in-natura” ou estruturados, extraídos de relatórios criminais e
outros documentos policiais formais. A coleta de dados e a subseqüente
análise permitem ao analista criminal:
·
Identificação de atividades criminais em curso
·
a dinâmica
da ocorrência
·
Identificação da data, hora e local da ocorrência,
·
Identificação dos possíveis suspeitos ou envolvidos no delito.
·
produção de
mapas de inteligência
·
Integração
de bases de informes entre Departamentos cooperados
·
desenvolvimento de pesquisas de padrões e modus operandi
·
desenvolvimento de atividades de planejamento
Bibliografia
Martins
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Andriguetto
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