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2010-2
Isnard Martins

 

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Levantamento Topográfico usando Modelagem Gráfica

Isnard Martins - Prof Dr Engenharia Industrial - Universidade Estácio de Sá

O vestígio encaminha; o indício aponta  (Gilberto Porto, manual de Criminalística)

 

 

Coleta de Evidências

                                                                                                        

Este trabalho, desenvolvido por Isnard Martins (2009), apresenta a segunda parte do trabalho que trata de recursos utilizados para documentação da cena de um crime. Utiliza referências conceituais apresentadas no trabalho de Jonathan Strickland (How Virtual Crime Scenes Work, 2007) e outros, onde são pesquisados recursos alternativos para documentação pericial da cena de um crime.

Stumvoll (1998) cita que em um local de crime, em princípio, todos os fatos, marcas, sinais, vestígios não podem ou devem ser desprezados, podendo , no futuro, ser de utilidade ou não para esclarecimento do fato e auxiliar a determinação da autoria.  Segundo Gottlieb (1998) as evidências físicas recolhidas na cena de um crime podem ajudar a identificar suspeitos e/ou indicar quais métodos foram utilizados para cometer o delito. Algumas das possíveis evidências físicas estão abaixo apresentadas:

 

·              Sangue

·              Projéteis

·              Vestuário

·              Substâncias proibidas ou controladas (narcóticos e outras drogas)

·              Fezes

·              Impressões digitais

·              Pegadas

·              Armas de fogo

·              Vidro

·              Cabelo

·              Tinta

·              Equipamentos e objetos de uso pessoal

·              Esperma

·              Marcas de pneus

·              Ferramentas e marcas

·              Urina

·              Outras evidências que possam revelar identidade de suspeitos ou estabelecer a sua presença em uma cena de crime.

Segundo Stumvoll (1998), para que seja perpetrada e fixada no tempo a situação relativa da ocorrência criminal é de fundamental importância o registro perene das localizações relativas dos indícios, estando todos detalhadamente registrados antes de serem submetidos à exames ou deslocados de suas posições originais.

Impossibilitados de comparecer diretamente ao local do crime para análise de suas características, os examinadores dos vestígios e indícios presentes no local do crime necessitam de uma visão técnica da cena, que é propiciada pela sua perpetuação.

A criminalística recorre a uma série de procedimentos conhecidos como levantamentos técnicos periciais, dentre estes o levantamento descritivo do local do fato, levantamento fotográfico tomado no local, levantamento papiloscópico recolhidos no local, revelações que possam tornar visíveis vestígios latentes, decalques ou transferências de vestígios, moldagens ou transferência de marcas  e levantamentos topográficos para análise do local do fato.

Levantamento Topográfico

Tem como finalidade complementar o levantamento fotográfico, por vezes prejudicado pela precisão matemática das efetivas distâncias entre objetos relacionados na cena, anulando distorções eventuais provocadas pela lente fotográfica (Stumvoll, 1998).

São técnicas empregadas geralmente para desenvolvimento do levantamento topográfico:

·              Croquis - gráfico à mão livre, sem escala e mantendo as proporções relativas. Segundo Layton ( 2010) Juntamente com a criação dos registros fotográficos da cena, o perito elabora esboços para descrever a cena do crime em sua totalidade (o que é mais fácil de se fazer em um esboço do que em uma fotografia, pois pode abranger vários espaços) e aspectos específicos da cena. As medidas exatas beneficiarão a investigação. O objetivo é mostrar os locais das provas e como cada uma se relaciona com o restante da cena. O desenhista pode indicar detalhes como a altura da moldura da porta, o tamanho exato da sala, a distância da janela até a porta e o diâmetro do furo na parede acima do corpo da vítima.

·              Desenho Final - Planta desenvolvida com escala e instrumental de desenho

Entre os tipos de plantas e desenhos, temos:

·              Região, área , quarteirão

·              Local, ambientes imediatos e mediatos

·              Esboço detalhado de micro ambiente

·              Rebatimento

·              Perspectivas

·              Cortes e Esquemas

Empresas de tecnologia desenvolveram métodos para criação digital de uma cena de um crime. Alguns reproduzem as cenas de crime com emprego de sistemas gráficos disponíveis em microcomputador além de avançados sistemas fotográficos em ambiente virtual de 360o. Para recriação das primeiras cenas utilizando computador, os investigadores extraem medidas exatas da cena do crime, incluindo as dimensões da própria cena e a relação entre todos os objetos dentro da cena. Por exemplo, em uma cena de assassinato dentro de uma casa, um investigador media as dimensões do cômodo, a posição do corpo e a localização de quaisquer outras informações relacionadas, como armas ou sangue. Geralmente, os investigadores usam o Laser Distance Meter (dispositivos portáteis para medições precisas - na foto, o medidor Leica 776149 DISTO D330 Laser Distance Meter) que garante a precisão das medições (Strickland, 2010),

Muitos programas de renderização VR iniciam com um conjunto bidimensional de cópias heliográficas ou esboços. A polícia pode usar simulações VR de cenas de crime para avaliar a linha de visão de uma testemunha. No exemplo à esquerda, o ponto de vista da testemunha é parcialmente obscuro, o que pode significar que seu testemunho não é confiável

 
Imagem original HowStuffWorks   Imagem original HowStuffWorks

Segundo Strickland (2010), ambientes virtuais em investigações de crimes incluem algumas das funcionalidades, como as seguintes:

·     Visualização de dados - permite a observação de dados em um ambiente virtual sob perspectivas impossíveis de serem visualizadas em um ambiente real, como problemas de ângulo de tiro em balística. Um pesquisador pode analisar dados sobre a trajetória e o percurso da bala no cenário virtual, o que poderá ajudar a conclusão sobre a possível posição do atacante.

·     Construção e teste de hipóteses: ambientes virtuais proporcionam uma maneira fácil dos investigadores criarem e testarem teorias. Os investigadores podem examinar as maneiras pelas quais um criminoso entrou ou saiu de uma sala ou o percurso de uma luta.

·     Proporcionam uma maneira rápida e eficaz de verificar a veracidade de declarações de testemunhas, ou ajudá-las sobre lembranças de um crime. É possível comprovar a narrativa de uma testemunha através da visualização da cena do crime, sob o ponto de vista declarado pela observação da testemunha.

·     Um ambiente virtual ajuda a integração dos membros de uma equipe, permitindo os  pesquisadores explorarem em conjunto a cena de um crime desenvolvendo um trabalho em equipe.

·     evidência no tribunal: permite conduzir o júri à cena do crime, ilustrando efetivamente sua percepção de como o acusado cometeu o crime, facilitando o entendimento do júri sobre a relação entre o crime, as evidências encontradas na cena e a provável seqüência dos fatos.

Uma Ferramenta Simples e Eficaz

Segundo Isnard (2008), croquis e cenários de um crime podem ser facilmente construídos, através da utilização de uma ferramenta de Software de baixo custo, simples operação e equipada com poderosas funcionalidades gráficas. Trata-se do Home Design, um aplicativo encontrado na maioria das livrarias especializadas do Brasil, que permite recursos como rotação da imagem na direção e eixos desejados, simulações de perspectivas tridimensionais e facilidades para criação de quaisquer tipos de plantas, complementadas com a composição de mobiliários variados para modelagem da cenas de um crime.

Foram selecionados alguns modelos referentes a uma mesma planta, objetivando ilustrar as funcionalidades do aplicativo Home Design, descrito neste capítulo de recursos gráficos para documentação de uma cena de crime (Isnard, 2010).

1- Planta baixa - Nesta opção inicial do trabalho, são registradas as informações gerais sobre a visão plana do local, seus cômodos e mobiliário, registrados em conformidade com a arquitetura do ambiente e detalhes coletados na cena do crime (Isnard, 2008).

Planta baixa de um ambiente modelo documentado pelo aplicativo Home Design

2- Uma nova visão combinada, utilizando o navegador de perspectivas. Nesta visão a planta baixa foi ligeiramente inclinada para uma observação frontal aérea, com domínio de todo o ambiente anteriormente documentado. É possível obter uma visão virtual abrangente tridimensional do ambiente e seus objetos presentes (Isnard, 2008).

Visão frontal do ambiente com pequenas diferenças na perspectiva de observação (Isnard , 2010)

3- Nesta terceira opção do exemplo ilustrado, o ambiente, em primeiro plano na figura 2, foi rotacionado para uma visão privilegiada sudeste do cenário. Nesta perspectiva podemos perceber detalhes anteriormente obstruídos pela visão frontal da cena (Isnard, 2008).

Modelo rotacionado para uma visão oblíqua sudeste aérea

4- Duas alternativas importantes no estudo do modelo exemplificado. A figura à esquerda apresenta uma visão, sob ponto de vista de um observador localizado na ante-sala, fornecendo o alcance e limitações possíveis a partir deste ponto de observação. À direita, o ponto de vista de um observador localizado no interior da cozinha, apresentando as possíveis obstruções e alcance visual a partir deste ponto do cenário (Isnard, 2008).

 

Visão interna - perspectiva da janela da sala

 

Visão interna - perspectiva da cozinha

Outros recursos

Outros Softwares gráficos têm sido utilizados para documentação de cenas de crime. Teixeira (2008) cita a utilização do aplicativo SCENE e VISION como recursos de qualidade para desenvolvimento de Cenas de Crime, além do próprio AutoCad.

O Google está apresentando o Software Google SketchUp, voltado para desenvolvimento de ambientes virtuais em 3D, e construção de plantas diversas complementadas com detalhes e mobiliário. A vantagem maior deste aplicativo é a ausência de custos e a simplicidade de operação, podendo ser obtido a partir de uma operação download em um site de apresentação do seu proprietário (Isnard, 2010).

Bibliografia

CSVT- Crime Scene VT - http://www.crime-scene-vr.com/#

Google SketchUp - consulta em http://www.google.com/sketchup/download/

Home Design - Consulta em http://www.homedesignersoftware.com/

Isnard Martins  Analise Criminal. UNESA Notas Técnicas Investigação e Perícia. 2007/2008/2010

Maia Neto F , Uso de Fotos Digitais. Grupo Perícias e Avaliações, IBAPE Bahia - Perícias em Engenharia, 2008. Consulta em http://www.ibapebahia.org.br/IbapeBahia/NewsDisplay.aspx?id=116

Gottlieb S, Sheldon Arenberg, & Raj Singh . Crime Analysis: From First Report To Final Arrest.  Alpha Publishig - 1994

Stumvoll Vitor, Quintela Vitor, Dorea Eduardo. Criminalística. Editora Sagra Luzzato. Porto Alegre, 1999

Layton Julia - Como funcionam as investigações da cena do crime - HowStuffWorks Brasil  - consulta em 2010  http://pessoas.hsw.uol.com.br/investigacoes-da-cena-do-crime.htm

LEIKA GeoSystem - consulta em http://www.cpoleica-geosystems.com/leica-776149-disto-d330--laser-distance-meter/lcan776149,default,pd.html?ref=nextag776149

 Strickland Jonathan - Cenas Virtuais do Crime -  HowStuffWorks Brasil   - consulta em 2010  http://eletronicos.hsw.uol.com.br/cena-virtual-crime.htm

Teixeira Cleber Muller. Desenho para a Criminalística : Croquis, Esquemas, Plantas Softwares de representação de local de morte violenta - XX Congresso Nacional de Criminalística III Congresso Internacional de Perícia Criminal , 2008

 

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