Isnard
Martins - Prof Dr Engenharia Industrial - PUC-Rio 2007
Localizar em tempo-real a posição da frota, fornecer ao cliente a
posição geográfica da remessa ou calcular o tempo previsto para as
entregas no ponto de destino são proposições dos sistemas operados pelos principais transportadores de cargas, seja
no modal rodoviário, aéreo ou marítimo. Constituindo a base dos sistemas
de rastreamento eletrônico de cargas, os sistemas GIS e GPS, originados de
estudos desenvolvidos no campo da ciência da informação e
telecomunicações, trouxeram um novo elenco de recursos técnicos e
operacionais aplicados à logística, emprestando à criminalística
ferramentas de apoio contra as crescentes perdas decorrentes de roubo e
furto de cargas praticadas pelo crime organizado.
1-
História -
Antecedentes
A preocupação com o rastreamento da frota é antiga e
tem os seus antecedentes nos meados do século passado. De acordo com
Katsonis (2004), a Viação Cometa foi pioneira no país na introdução de
redes de comunicação, via rádio, para acompanhamento de sua frota. A
empresa em 1956 utilizava 500 rádios transmissores Motorola VHF instalados
nos ônibus e veículos auxiliares. A infraestrutura de apoio para este
serviço contava com 8 estações repetidoras e 65 estações de rádio fixas,
distribuídas ao longo das rotas e terminais. O sistema de rádio era
utilizado para chamadas de socorro, transmissão de mensagens urgentes e
informações de reservas de bilhetes. As transmissões de rotina eram
efetuadas por meio do telégrafo, sendo substituído posteriormente pelo
Telex. O sistema de rádio da Viação Cometa manteve-se em operação até
meados da década de 90.
Outra iniciativa importante no
passado para apoio ao setor de transportes teve origem na estatal Embratel
com o sistema denominado Tele Estrada, inaugurado em 1982. Este projeto
consistia em um sistema operado, via rádio, apoiado por uma rede de
antenas repetidoras, cujo atendimento era executado por operadores da
estatal a partir de São Paulo. O usuário poderia, mediante identificação
prévia, via central de atendimento, conectar-se a telefones da rede
pública localizados em qualquer parte do Brasil. A maior vantagem deste
sistema consistia na possibilidade do motorista utilizar o canal de
emergência para transmissões urgentes, com prioridade sobre os demais
usuários conectados ou aguardando chamada. Esta comunicação servia também
para identificação da região onde o veículo estaria localizado. Nesta
ocasião era usual observar-se rádios equipando veículos de carga, ônibus e
estações (móveis) estacionadas nas empresas transportadoras, mantendo
comunicação de apoio com as suas respectivas frotas.
O contato entre estações móveis, entretanto, era
realizado de forma direta, rádio a rádio, suportado por três canais
disponíveis. Nesta fase, devido a enorme carência de recursos de
comunicações que vivenciava o país, este serviço da estatal proveu
valiosos préstimos aos operadores logísticos de cargas durante um longo
período. O autor deste artigo foi usuário pioneiro do sistema Tele
Estrada, portador do antigo prefixo RJ-2479 entre os anos 1984 e 1994,
ocasião em que o sistema foi aberto para todo tipo de veículo motorizado
da frota pública. A posterior chegada da telefonia celular no Brasil, em
1994, reduziu a importância dos benefícios então oferecidos pelo sistema
Tele Estrada aos seus usuários.
Devido à conjuntura menos agressiva, a
preocupação com a segurança sobre as cargas existia, porém de forma
moderada. Algumas revendedoras de combustível, através das suas
respectivas redes de postos de serviços, ofereciam pouso aos veículos de
carga nos denominados “Postos de Estrada” que consistiam na assistência
aos motoristas, estacionamento ou pernoite seguro e serviços aos veículos.
Certas empresas transportadoras conveniadas às revendedoras podiam
usufruir um sistema ofertado de contas-correntes para cobertura financeira
de serviços de parada aos seus motoristas e veículos.
As escalas nestas redes de serviços, geralmente
programadas previamente, serviam também para informar a empresa sobre a
posição geográfica dos veículos e da carga durante o seu deslocamento para
o destino final. Alguns destes serviços oferecidos aos veículos de carga
nas rodovias no passado ainda permanecem, apesar de tecnicamente
atualizados, parcialmente presentes até os dias de hoje.
Rastreamento - Um
sistema Multidisciplinar
Rastreamento de Cargas
- Um Sistema Multidisciplinar
A integração do Sistema de Informações
Geográficas, GIS, com atuais recursos de sistemas de telecomunicações,
combinados com Sistema Global de Posicionamento por Satélite, GPS,
provocou a ampliação das fronteiras dos sistemas de logística, fornecendo
novos instrumentos para os sistemas de rastreamento de cargas e gestão das
frotas transportadoras.
O sistema GIS
baseia-se nos fundamentos da Cartografia que, segundo Zimback (2003), é
definida como estudos e operações científicas, artísticas e técnicas com
objetivo de elaborar e preparar cartas, mapas, planos e outras formas de
expressão destinadas à representação de fatos e fenômenos observados na
superfície da terra, através de simbologia própria.
Segundo Davis
(1997), O GIS situa-se na fronteira de diversas áreas do conhecimento,
cada uma privilegiando um aspecto da tecnologia, cuja definição é
percebida de forma diferente pelos especialistas de cada área. Davis
(1997), cita o conceito de GIS como um sistema automatizado usado para
armazenar, analisar e manipular dados geográficos representativos de
objetos e fenômenos em que a localização geográfica é uma característica
inerente à informação.
Anefalos (1999) cita que o GPS é um sistema de
navegação desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos EUA com finalidades
militares e opera com apoio de 24 satélites que cobrem a órbita terrestre
a cada 12 horas. A posição na superfície do planeta é determinada em três
dimensões através de coordenadas geradas pelo aparelho receptor. O GPS
pode determinar posições geográficas específicas, movimentos na
superfície, velocidade e tempo de deslocamento A coleta da posição é
fornecida pelo GPS. As coordenadas coletadas são então transmitidas para
um satélite de comunicação que as transfere para uma estação terrena para,
finalmente, as enviar para o usuário, com objetivo de gerenciar os dados
obtidos através de software específico.
Anefalos (1999) cita
diversos sistemas americanos utilizados para rastreamento de veículos,
tais como NSCAT (Newcomb Communications), SAT (SAT Corporation) e ROADTRAC
dentre outros. Com referência aos sistemas de rastreamento para o
transporte rodoviário de cargas no Brasil, Anefalos (1999) apresenta os
sistemas Cargosat, Logiq, Controlsat, Satcom e Trucksat que usam o
satélite Inmarsat C e o sistema Omnisat que utiliza o Brasilsat
B2.
Giopato (2004) cita a tecnologia utilizada pela Rotanet, que
desenvolveu o Rotainfo, baseado em tecnologia de radiofreqüência. O
sistema possibilita ao usuário ter informações sobre os horários de saída
e chegada do veículo, o tempo de permanência em determinados pontos e
obter a previsão de finalização da jornada. Giopato (2004) apresenta ainda
o sistema híbrido desenvolvido pela Motorola, que utiliza o satélite para
transferência das informações ao usuário apenas quando não for possível o
uso do sistema celular.
Assim, nos locais de
cobertura GSM é possível aumentar o número de freqüência das mensagens
entre o veículo e a Central de Monitoramento.
As
Cargas Preferenciais
Com referencia ao interesse sobre as cargas
preferenciais, alvo das quadrilhas em rodovias federais, Bezerra (2004)
apresentou um resumo estatístico, contabilizando a tipificação destas
cargas referentes ao ano de 2003, segundo participação no volume total de
ocorrências:
|
Tipo da
Carga |
Participação |
|
Tipo da
Carga |
Participação |
|
Alimentos |
19% |
|
Cigarros |
9% |
|
Cargas
Mistas |
14% |
|
Medicamentos |
5% |
|
Eletrodomésticos |
11% |
|
Combustíveis |
4% |
|
Bebidas |
11% |
|
Participação das
cargas preferenciais nas ocorrências de roubos e furtos em rodovias
federais, em 2003. |
Os Impactos Econômicos decorrentes do Problema
Examinado
Os reflexos econômicos na cadeia
logística, motivados pela prática criminosa também foram mensurados.
Santos (2004) apresentou no II Seminário Nacional de Roubo de Cargas, os
números do prejuízo Brasil entre os anos de 1999 e 2003 (valores
totalizados em R$ milhões):
Tabela-2: Evolução do valor
total das ocorrências de roubos e furtos de cargas em São
Paulo.
|
9 |
2000 |
2001 |
2002 |
2003 |
|
420 |
500 |
550 |
575 |
630 |
Alguns
destes reflexos, segundo Santos (2004), atingem economicamente as empresas
transportadoras. Dentre algumas conseqüências importantes que mais
diretamente afetam o setor, destaca:
Redução do
número de seguradoras operando com transporte de cargas.
Restrições
impostas pelas seguradoras no tocante ao seguro contra roubo ou furto de
cargas:
·
Aumento das taxas sobre as cargas
e veículos;
·
Exclusão da cobertura de certos produtos
transportados;
·
Participação obrigatória do
segurado nos prejuízos;
·
Aceitação do risco condicionado à
adoção de medidas preventivas (gerenciamento do risco);
·
Introdução
de sub limites nas apólices.
Sem uma
perspectiva de solução de curto prazo para o problema, as empresas de
transporte e empresários de todos os segmentos afetados procuram
alternativas que possam minimizar as perdas materiais, comerciais e
humanas, não apenas pela busca de diferenciais junto ao respectivo mercado
alvo, porém como uma saída para a sobrevivência da empresa no setor.
Segundo a GMS (2004), o gerenciamento eficiente dos custos e da
qualidade é fator essencial para a sobrevivência da empresa
transportadora.
Clemente (2004) afirma que o principal risco do
transportador é o roubo de cargas devido à criminalidade que vivencia o
país, seguido do acidente nas estradas, cuja conseqüência relaciona-se
diretamente com possíveis danos provocados nas imagens do remetente e
transportador.
Sendo o transporte de cargas uma parte integrada à
cadeia de produção, os custos referenciais de seguros, perdas, extravios
ou quebra de produção motivados pela subtração da carga transportada
terminam por participar obrigatoriamente das planilhas contábeis das
empresas. Este necessário rateio dos custos da transportadora finaliza
seus cálculos, inserido nos custos industriais e comerciais dos produtos e
serviços, acrescentando, o que presentemente destaca-se próximo a treze
por cento dos custos do transporte rodoviário de carga das cidades
brasileiras (FIESP, 2004), com especial destaque para os estados do Rio de
Janeiro e São Paulo, que concentram 79,57% das ocorrências criminais
contabilizadas nas estradas brasileiras (Souza, 2004).
Ocorrências
de roubo de cargas no Rio de Janeiro (2003, janeiro a julho)
Principais
Logradouros (classificado por quantidade de ocorrências) Fonte
Boletins de ocorrências 2003
|
AVN BRASIL |
417 |
|
ROD PRESIDENTE
DUTRA |
132 |
|
AVN DOM HELDER
CÂMARA |
96 |
|
AVN AUTOMÓVEL
CLUB |
74 |
|
AVN ITAÓCA |
63 |
|
AVN SUBURBANA |
63 |
|
EST VELHA DA
PAVUNA |
46 |
|
ROD WASHINGTON
LUIZ |
38 |
|
SAÍDA DA
AVN.BRASIL |
31 |
|
LINHA AMARELA |
30 |
|
RUA GOMES
LOPES |
29 |
|
RUA ZIZI |
29 |
|
RUA DONA
FRANCISCA |
27 |
|
RUA LEOPOLDO
BULHÕES |
27 |
|
AVN DOS
DEMOCRÁTICOS |
26 |
|
AVN MARECHAL
RONDON |
23 |
|
EST DO ITARARÉ |
23 |
|
EST DO
MENDANHA |
23 |
|
LINHA VERMELHA |
22 |
|
RUA BARÃO DE
PETRÓPOLIS |
22 |
|
AVN
DEMOCRÁTICOS |
21 |
|
RUA BARONESA
URUGUAIANA |
20 |
|
|
|
RUA ITARARÉ |
20 |
|
RUA PERNAMBUCO |
20 |
|
RUA VINTE E
QUATRO DE MAIO |
20 |
|
RUA VIÚVA
CLAUDIA |
39 |
|
RUA ARAÚJO
LEITÃO |
19 |
|
RUA
DEMOCRÁTICOS |
19 |
|
AVN NOSSA
SENHORA DA PENHA |
18 |
|
EST DO
PEDREGOSO |
18 |
|
EST DO
TAQUARAL |
18 |
|
EST JOÃO PAULO |
18 |
|
ENTRADA DA
FAVELA DO JACAREZINHO |
17 |
|
RUA CANITA |
17 |
|
RUA URANOS |
17 |
|
AVN SANTA CRUZ |
16 |
|
RUA LINO
TEIXEIRA |
16 |
|
RUA SAO
CRISTOVÃO |
16 |
|
RUA SÃO
FRANCISCO XAVIER |
16 |
|
EST DO
CAMBOATÁ |
15 |
|
RUA
CONSELHEIRO GALVÃO |
15 |
|
RUA SÃO LUIZ
GONZAGA |
15 |
|
RUA VISCONDE
SANTA CRUZ |
15 | |
Conceito de
Rastreamento
De
acordo com a GMS (2004), o rastreamento consiste na localização dos
veículos; o monitoramento permite traduzir as informações geográficas em
mapas digitalizados da cidade, ou região, definindo a rua ou rodovia onde
o veículo está localizado. O Roteamento de veículos define as melhores
rotas possíveis de distribuição de bens e serviços para diversos locais
utilizando uma frota de veículos. Os Sistemas de Roteamento de Veículos
visam à determinação de rotas ótimas de atendimento, minimizando o
deslocamento total entre o ponto de origem e os pontos de destino,
processando todas as tarefas sobre o mapa digital. Para Lieberman &
Hiellier (1988), a solução da rota mais curta visa encontrar a rota mais
curta entre uma origem e um destino através de uma rede de conexão, dada a
distância não negativa associada aos ramos (vias) da rede
(região).
O Sistema de Roteamento de Veículos está vinculado ao GIS
que produz identificações não disponíveis por outros meios. Os sistemas de
Roteamento gerenciam e integram três tipos de arquivos: banco de dados,
arquivos geográficos e arquivos de referências (GMS, 2004). Bancos de
dados relacionais armazenam informações em registros e campos e conduzem
pesquisas usando dados para localizar dados relacionados em outras tabelas
específicas do sistema (Arcview, 1996).
Sensores
Embarcados
O
monitoramento, através de sensores remotos, destina-se à aquisição de
dados dinâmicos tais como consumo de combustível, peso da carga
transportada, número de ocupantes da cabine de veículos e envio de
comandos de uma central de monitoramento destinados à cobertura de
situações emergenciais. No modelo de sensores demonstrado pela Cerruns
(2004), a comunicação é baseada em transmissão via telefonia celular e as
coordenadas do veículo são capturadas via GPS.
Dentre algumas
utilizações disponíveis destacam-se:
Sensores de pânico (representados
por botões de cores diferentes, relacionados com diversos códigos de
pânico destinados a níveis graduais de emergência);
Sensores de
alarme;
Sensor de movimento (para qualquer tipo alteração: empurrar,
guinchar, rebocar etc);
Bloqueio;
Segredo;
Sensores das portas
(porta do motorista, porta do carona, porta do bagageiro, compartimento do
motor, portas do Baú);
Sensor da chave de ignição;
Alarme sonoro/
sirene;
Sinalização visual pelas setas de direção;
Travas do
Baú;
Travas de fechaduras;
Bomba de combustível.
Exame do Problema - O Cenário
Na moderna economia a informação adquire a
importância de insumo industrial primário. O fator tempo orienta a
gestão da cadeia de produção baseada nos benefícios que os sistemas
“just-in-time” podem propiciar. Desta forma o tempo despendido para
deslocamento da carga entre o ponto de origem e o ponto destino não
representa um custo irrelevante nas curvas da administração científica
do estoque ou custos da manufatura. Em decorrência, o posicionamento
temporal e geográfico da carga foi incorporado aos sistemas de gestão
das empresas e, em alguns modelos tecnicamente evoluídos, oferecidos
como diferencial para eventual integração com sistemas internos de
gestão de seus clientes preferenciais.
Na prática, entretanto,
tem-se observado um baixo índice de integração dos recursos presentes
nos sistemas de rastreamento e recursos de TI das empresas
transportadoras.
Em pesquisa realizada por Hamacher e Moura (2003)
sobre o uso de rastreadores por empresas transportadoras de cargas,
consultando sobre a percepção de integração dos sistemas de rastreamento
com sistemas de informação da empresa por parte de gerentes e analistas,
obteve uma média 1,49 em um máximo possível de 3, interpretado como
baixa sensação de integração por parte dos entrevistados entre os
recursos de TI da empresa e os recursos disponíveis nos rastreadores.
Devido à carência de equipamentos, investimentos financeiros e da
desintegração da malha ferroviária brasileira, operando próximo ao
limite da sua capacidade (FIESP, 2004), a cadeia logística de
infra-estrutura de transporte de carga está praticamente sustentada pelo
modal rodoviário, vulnerável a roubos e furtos, tornando este elo da
cadeia logística uma atividade de risco crescente para os usuários
transportadores. Segundo Stefano (2004), são 12.000 empresas,
movimentando 70% de toda circulação de produtos no Brasil.
O
crime apresenta propriedades migratórias. Como conseqüência do aumento
dos sistemas aplicados à segurança das agências bancárias, o risco do
assalto ao banco ou do seqüestro reprimido aumentou para os criminosos,
que passaram então a atacar os caminhões. Segundo informação da Polícia
Militar do estado de São Paulo, são roubados em média, sete caminhões
por dia no estado de São Paulo (Reis, 2004).
No Rio de Janeiro, em
um dia típico, verifica-se quatro roubos praticados a caminhões de carga
(DRFC, 2004). Cumpre considerar que estes riscos não estão apenas
associados às auto-estradas. É necessário acrescentar adicionalmente o
prejuízo causado pelas perdas geradas pela prática sistemática do roubo
de cargas na malha viária urbana, fazendo das transferências entre
modais de qualquer natureza ou de centros de distribuição até o ponto do
destino urbano um forte contribuinte nas estatísticas de formação dos
índices de violência praticadas contra o setor. Segundo Giopato (2004),
o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo, em 2003
registrou 2.521 ocorrências de roubo de carga, equivalente a uma média
mensal de 210 casos. O valor das cargas roubadas no estado, de janeiro a
dezembro de 2003, apresentou um total de R$ 193 milhões. Ainda em São
Paulo, segundo Santos (2004), 40% dos roubos do País, correspondentes a
90% das ocorrências desta natureza criminais registradas no estado, são
praticados dentro de um raio de 150 quilômetros da capital.
Distribuição de horários das ocorrências de roubo de cargas no Rio de
Janeiro
Gerado por © Isnard
Martins
 |
 |
| Distribuição por faixa de horários |
Horários de risco |
O bairros
mais violentos no Rio de Janeiro, por quantidade de ocorrências de roubo
de cargas
(2003, janeiro a julho)
|
BONSUCESSO |
298 |
|
PENHA |
269 |
|
CAMPO GRANDE |
207 |
|
JACARÉ |
197 |
|
RAMOS |
158 |
|
SÃO CRISTOVÃO |
158 |
|
INHAÚMA |
145 |
|
BENFICA |
141 |
|
LINS DE
VASCONCELOS |
115 |
|
REALENGO |
111 |
|
MANGUINHOS |
105 |
|
PAVUNA |
101 | |
|
|
BANGU |
96 |
|
DEODORO |
76 |
|
JACAREZINHO |
76 |
|
IRAJÁ |
75 |
|
SENADOR CAMARÁ |
62 |
|
CENTRO |
60 |
|
ENGENHO NOVO |
59 |
|
CORDOVIL |
57 |
|
JARDIM AMÉRICA |
54 |
|
SANTA CRUZ |
54 |
|
ILHA DO
GOVERNADOR |
53 |
|
DEL CASTILHO |
50 |
|
PILARES |
50 | |
 |
|
| |
acima de 200 |
| |
de 151 a 200 |
| |
de 101 a 150 |
| |
de 91 a 100 |
| |
de 71 a 90 |
| |
de 61 a 70 |
| |
de 51 a 60 |
| |
até 50 | |
|
|
 |
| Mapa
Aéreo Município - Avenida Brasil |
Conclusões deste
Estudo
A base instalada dos sistemas de
rastreamento em veículos de carga apresentou crescimento, apesar dos
obstáculos dos custos operacionais do sistema, anteriormente impeditivos a
esta expansão. Segundo fontes do Portal Nacional dos Corretores de Seguros
(SEGS, 2004), no país já foram instalados cerca de 140.000 rastreadores,
sendo 45.000 em caminhões de carga.
A pesquisa de Anefalos (1999) demonstra a reação elástica da
demanda por sistemas de rastreamento por transportadoras usuárias. De
acordo com os resultados da pesquisa de Anefalos (1999), o item
“crescimento das frotas equipadas com rastreadores” indica que empresas
que optaram pelo sistema híbrido satélite/rádio, de menor custo, ao final
de um ano de operação terminaram por equipar 80% da frota com
rastreadores, enquanto empresas que utilizavam o sistema totalmente
rastreado por satélite, de custo mais elevado, finalizaram o primeiro ano
com um crescimento menor, equipando 34% da frota.
Algumas questões
relacionadas aos benefícios do sistema de rastreamento, todavia, ainda
suscitam dúvidas referentes às razões da expansão do sistema junto às
empresas transportadoras.
Destacamos duas destas questões mais diretamente relacionadas com
o problema:
· Dentre os reconhecidos benefícios dos sistemas
rastreadores quais estariam relacionados com a motivação da empresa
transportadora para instalação de rastreadores em sua
frota?
· Existem benefícios reconhecidos pelas transportadoras
usuárias de rastreadores relacionados com a gestão operacional da
frota?
Segundo Anefalos (1999), dentre os
principais benefícios observados pelas empresas,
destacam-se:
|
Benefícios de Gestão |
|
Benefícios com Segurança |
|
Redução de custos
Obtenção de vantagens competitivas
Melhoria do serviço prestado ao cliente
Redução na ociosidade da frota
Melhor controle do motorista |
|
Redução de custos com segurança
Aumento da segurança da carga transportada
Melhoria da confiança do motorista na empresa
Melhoria da decisão de escolha das rotas de coletas |
Os resultados apresentados neste estudo, com base nas pesquisas
consultadas, evidenciam a utilização reduzida ou não identificação
dos benefícios relacionados com gestão operacional dos sistemas de
rastreamento eletrônico pela maioria das transportadoras usuárias. A
baixa exploração dos recursos tecnológicos dos sistemas rastreadores
pelas empresas transportadoras confirma a presença da lacuna
cultural e tecnológica citada por Anefalos (1999).
Hamacher e Moura (2003) citam que grande parte da frota de veículos
de carga brasileira é composta por profissionais autônomos carentes
de gestão profissional adequada, o que propicia uma baixa
disseminação tecnológica neste universo de empresas |

Bibliografia
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Utilizando Rastreamento por Satélite - Monografia de Mestrado,
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Bezerra,
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